Canal Celta: Cernunnos

15.4.07

Cernunnos

Quem é ele afinal?

ernunnos é representado como uma criatura quimérica cujo o culto que remonta a época correspondente se muito o início da Idade de Bronze, cujo o nome se supõem foi conferido muito após ter sido fixado a crença devocional nesta divindade a partir de uma imagem encontrada num baixo-relevo em Paris que reproduzia um homem sentado de pernas cruzadas que ostentava chifres na cabeça onde lia-se abaixo a inscrição ´´ ( C ) ernunnos ´´

Nas narrativas míticas a figura de Cernunnos como personagem é bem confusa já que existem momentos onde ele é descrito ao lado de uma figura feminina com poderes sobrenaturais sobre a Natureza que figura por vezes como sendo sua ´´mãe´´ e em outras é identificado como sua ´´esposa ´´ o que dá a vaga impressão da presença de um relacionamento incestuoso.

Para simplificar a compreensão do mito ficamos restritos ao que o poeta latino Marco Anneo Lucano ( 39/65 d.C) narra em breves passagens em ´´Pharsalis´´ , cujas as fontes históricas prováveis foram Tito Livio, Asinio Pollione e Sêneca , a saber que Cernunnos nasce sem chifres e reina no submundo de onde ajuda a comandar com sua ´´esposa´´( alguns a identificando sob o nome de Epona e outros como ´´ Dana´´ ) a vegetação e os animais até que em certo momento é traído por ela com ´´Esus´´ e dali surge uma ´´galhada´´ de cervo em sua cabeça.

A oportunidade desta traição surge por conta do fato que Cernunnos para cumprir com seus deveres tem que sempre durante certo tempo do ano recolher-se ao reino subterrâneo, deixando sua ´´esposa´´ sozinha por um longo período.

Observando que Lucius menciona no caso não bem diretamente ´´Cernunnos´´ e sim o amante fugaz de sua esposa a saber ´´ Esus / Albiorix ´´ onde o cita também sob a alcunha curiosa de ´´ Rei do Mundo´´ e sendo parte de uma espécie de´´trindade´´ em que figuravam ao seu lado de ´´Toutates / Teutates ´´ como uma espécie de ´´deus da guerra´´ e ´´Taranis / Caturix ´´ na condição de ´´Rei das Batalhas´´, fato que é curioso de analisar na medida em que vemos o mito de Cernunnos ter conotações mais que óbvias com assunto afetos mais fertilidade de maneira geral e agricultura de forma especifica do propriamente como tendo algo haver com batalhas , guerras e assuntos assemelhados como estas outras divindades citadas remontam arquetipicamente.

A sua verdadeira origem

O que surpreende logo de cara o mito de Cernunnos ao analisar comparativamente a mitologia celta é que ela não usa como recurso de enredo a figura de seres quiméricos, isto é, volta e meia até um personagem se ´´transmuta´´ em forma animal só que nenhum é representado como tendo parte humana e outra animal ao mesmo tempo.

Igualmente , a lenda em parte recorda o mito greco-romano de Hades e Perséfone / Proserpina onde ela passa metade do ano com sua mãe na superfície ( Ceres /Deméter ) e a outra parte no mundo subterrâneo ao lado de seu esposo. Havendo é claro claras reverências a todo uma simbologia também vinculada a temas de fertilidade, agricultura, mudanças de estação e etc neste mito greco-romano . Seria coincidência?

Graças a arqueologia um pouco do mistério ao redor da figura tão deslocada de Cernunnos vai aos poucos , a saber a suposição básica era que Paris tinha sido fundada por uma tribo celta
( os Parise ) que depois foi melhorada pelos romanos a partir de sua conquista por volta de 52 a.C caí por terra para ceder lugar a constatação de que a cidade foi na verdade erigida por completo pelos romanos desde o inicio.

Isto somado com a constatação que gregos pelo menos na região de Marselha e redondezas desde o século V a .C figura como bem provável que o culto ao deus cornifero tenha sido trazido embrionariamente para região através dos gregos e depois apossado pelos romanos que deram as narrativas sua conotação guerreira , surgindo depois os celtas ( ou melhor os parisi ) para incorporarem sincreticamente em seu corpo de crenças a figura de Cernunnos.

Outra alternativa além dos gregos que surge é que ligures ou etruscos tenham trazido sua contribuição para a formação da imagem do ´´deus chifrudo´´ na medida em que é uma imagem típica de divindade vista entre povos que viviam da criação de caprinos e pastoreio bem como também eram povos que margeavam a região.

7 Comments:

Blogger Juliana said...

opa gostei msm, bem esclarecedor...eh verdade que o chifre representava conotação sagrada,como um sinal "divino"?
Cernunnos virou um Deus wiccano huaeuhae...acho q sabe disso neh?
:* otimo texto, visitarei com mais frekencia

11:18 AM  
Anonymous Ioldanach said...

Dia Dhuit, a chara Juliana ! Quanto tempo não marca sua presença por aqui

Sim, há interpretações que concedem ao chifre uma conotação sagrada tal como um ´´sinal divino´´ ou mesmo de ´´divindade´´

E realmente, por estas indas e vindas dos eventos pelas mãos de Gardner e outros a figura de Cernunnos virou a base da ´´dualidade divina wiccana´ onde do outro lado estaria a ´´Grande Deusa-Mãe ´´ ( outra bobagem )

Abraços, apareça mais vezes viu?

9:33 PM  
Blogger Luan Phoenix said...

Antes de mais nada tenho que salientar que sou bruxo, de raizes na Tradição Celtica. Onde conheci o Deus Cernunnos e com o tempo me tornei sacerdote do Deus em questão.

É o seguinte... O fato de Cernunnos ser pouco comentado na mitologia Celta, mas bastante cultuado por várias tribos deste povo, é simples: Cernunnos, não esteve presente em forma humana em nenhuma das passagens dos Tuatha De Dannan por exemplo, ou qualquer outro mito celta. Cernunnos em si não tem um mito específico tratado em nenhum livro ou por qualquer outra fonte de conhecimento celta.

Cernunnos é o dito mais antigo Deus celta. Seu culto e sabedoria era passado oral e secreamente. Pois ele era o espírito da Floresta. Ele é o deus primordial. Ele é o fertilizador da criação. Ele é o amante de todas as deusas, ele é instinto primordial e selvagem que move toda a sede e paixao dos outros deuses. Cernunnos não é um Deus personificado unicamente nos mitos pois está em todos agindo por outros Deuses.

E na verdade há um mito do deus sim, mas é tão obvio que ninguém percebe. Já ouviu falar sobre a Roda do ano celta? A trajetória do deus durante sua vida e morte? Pois é... Tirando toda mistificação e presença de outros contos. Se você for olhar na raiz da Roda Anual celta e suas interpretações, você chega ao mito de cernunnos. O Deus que nasce da Deusa, se nutre e aprende com ela, trazendo a nova vida para o mundo com o sol, ou o inveno (no caso do hemisfério sul) no demais trazendo a fertilidade da terra. Na jovialidade Vira o amante e marido da Deusa, o senhor que fertiliza o mundo, o senhor das Florestas, o Homem verde. No seu àpice ele começa a decair, enveelhecer, se tornar o sábio e migrar para o submundo, onde ele renasce na Deusa como o Deus ancião e causador do inversão, ou seca (no caso do hemisfério sul) que torna o mundo morto, sem fertilidade e na espera da volta do bebe da promessa , o proprio cernunnos.

Sobre seus chifres, muitos dizerm que é uma ligação com cervo. Mas eu vejjo os "chifres" como GALHAdas, ou seja Galhos, ele é o senhor da natureza, a natureza viva e pulsante. Ele é o homem verde em sua forma mais brilhante. Ele é a natureza, nada mais normal do que ter em seu corpo algo que demonstre isso. Os chifres. que está presente nos animais mais ferteis por assim dizer e fortes. e os principais q1ue são cultuados pelos celtas.

Então... seja lá de onde foi tirado isso de chifres por traição... Joge essa sabedoria fora. os Celtas são honrosos demais para que como os deuses possam trair deliberadamente. Não há traição no povo celta, porque cada um tinha sua liberdade de ir e vir. O proprio casamento celta durava até que o amor dos indivíduous durasse. Se um era capaz de trair o outro, se naum por prazer ritualistico, era sinal que o amor havia acabado e o casamento estava desfeito.
Só um pouquinho do que sei e que tirei de lembranças e convivencia com os Deuses... Boa jornada!

12:06 AM  
Blogger Ioldanach said...

Luan Phoenix:

Grato por seus comentários só que gostaria de salientar que a chamada ´´Roda do Ano Celta´´ é uma invenção de Gerald Gardner a partir de ensinamentos ocultistas de Margareth
Murray a respeito de bruxaria, ou seja, nada tem haver isto na raiz com os celtas.

Logo, ao seguir a ´´Roda do Ano Celta´´ vc não chegará ao ´´verdadeiro´´ Cernunnos, mas sim alcançará a visão de Gardner a respeito desta divindade.

Aliás, muito dito por você a respeito de Cernunnos segue fielmente os ensinamentos esotéricos gardernianos e similares. - O que representa dizer não tem muito fundamento histórico ou mesmo científico, sendo se muito matéria de crença mistica se muito.

De resto os celtas não eram ´´seres perfeitos´´ao ponto de ficarem imunes ao ciúmes, a traição conjugal e tudo mais.

6:18 PM  
Blogger Maeve Bach said...

Desculpas mesmo, mas a roda do ano não tem nada haver com wicca, salvo usa-lá. A forma como celtas e diga-se outros povos da mesma época, contávamos e refilavam seus ritos, safras e astrnomia em geral era o que se convencionou chamar de roda. Procurar nos escrtos de xamanio celta e também nas pesquisas arqueologicas que recentemente avançam rápido na Europa, abandonando a ideia da influencia principal de greco-romanos para inclusive falar da influencia "barbara" sobre estes. Sobre cernunnus realmente adorei o texto e teria coisas a complementar e não criticar. A primeira com base em pesquisa histórica dos mitos franceses: antes do período do culto a Toutatis, bascos e celtas já cultuavam um "dieu de cern" ou "dios de los cuernos", que simbolizava a fertilização da terra, sua Mae e também consorte. Nas pesquisas sobre a cultura basca isso e bem anterior aos Tuatha. Tempos da Deusa Mari. Eles eram povos que dependiam da terra sim e dos caprinos e cerdos. Sobre o segundo ponto e algo místico: não pertenço nenha ordem, muito menos Gardneriana, estudo e vivo o que estudo, preferindo a Nacional Geografic como fonte aos livros de magia moderna. Mas não deixei de ficar sabendo do seguinte mito: uma sacerdotisa em magia natural só o e de verdade quando e chamada pelo homem verde ou por cernunnus. Achei que ia morrer sem passar por esta insólita situação. Mas o fato e que ele apareceu em meio a a grande floresta aqui de meu estado. Não tinha bebido, ou feito jejum e sou letrada demais para ser pirada. Não o vi de longe e sim bem de perto. Pois e: são galhadas mesmo e não coemos, ele tem
cipos e sua pele e de um verde como relva. Lindo, ok, lindo, mesmo e nada humano, sereno como um vegetal seria, só disse que era o dheva ou divindade que faz a natureza brotar e crescer, que ordena os elementais e elementos. Filho da terra e um com ela. Incestuoso? So se ele fosse humano, mas não e'. E de outro reino, com sua própria natureza e ordem. Reino este que os druidas conhciam bem. Ate hoje em lugares como Findhorn na Escocia, este tema e vivência são comuns. Parabéns pela pesquisa e pela excelente forma de escrita.
Ass: Gabriela

10:22 PM  
Blogger Vinícius A. Almada said...

Alguém conhece algum coven celta tradicional no Rio de Janeiro?

7:39 PM  
Blogger Daniel Faria de Freitas said...

Olá! Fizemos um curta inspirado em Cernunnos.

Aqui está: https://youtu.be/4-cdYS_r2jc

Abraços! )O(

8:10 AM  

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